Eu acordo e sinto o gosto amargo da manhã de segunda. Pela madrugada eu tive insônia, mas foi fácil acordar já que incrivelmente eu não sentia sono. Eu me olho no espelho. Meu curto cabelo está despenteado, para variar, as minhas olheiras estão fundas. Minha garganta ardia por causa da inflamação. O estômago doía por causa da fome. Nesta manhã de segunda não tinha mau humor, estava quase apática.
Volto para a cama e ali permaneço com a garganta ardida, ouvindo a chuva. O cão estava deitado ao lado da minha cama e dormia, parecia mais confortável do que eu, tinha a respiração calma.
Levantei. Fui até o banheiro e ali fiquei, olhando meu pequeno corpo no espelho. Não era dali, nem meu corpo, nem meu espírito. Aquele lugar não me pertencia. Eu não pertencia àquela manhã de segunda.