sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Recita de Ano Novo

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."


Carlos Drummond de Andrade

Falando do que não se deve, mas o que é preciso nunca é dito!!

Eu falo muito, às vezes muitas vezes, falo demais, mas por vezes, falo o que não se deve falar nunca, ou que se deve falar mas que ninguém fala e quando alguém fala ninguém gosta porque não deveria ser dito. Mas o que eu preciso dizer de verdade eu não digo. Eu sou sincera, às vezes, até sincera demais, mas quase nunca sou sincera com o que eu sinto lá no fundo, talvez porque eu tenha medo de que ninguém entenda o que eu sinto de verdade, ou então por medo de que os outros a quem eu digo sinceramente o que sinto me julguem por sentir tal sentimento. É porque eu sou confusa demais, dentro e fora, e parece que eu deixo tudo ao meu redor uma confusão também. Às vezes, fico com medo de por esse medo que eu acabei de descrever eu tenha me transformado em uma pessoa que não sou eu. Eu tento parecer forte sempre, firme, organizada, direta, mas na verdade eu não sou nada disso essencialmente. Eu sou outra Giulia, uma Giulia que talvez não saiba se descrever realmente, como se eu fosse sincera só na parte de fora, só com os outros, mas não comigo mesma, é como se eu só conseguisse me dizer o que eu sinto muito se vez em quando. -"Colocar-se em primeiro lugar não é egoísmo"- Chaplin disse isso uma vez, e eu tento seguir isso, bom, pelo menos de vez em quando, mas é que às vezes eu acho que eu me coloco em primeiro lugar demais, e às vezes eu acho que eu coloco os outros em primeiro lugar demais. 
Eu não tenho a menor ideia do que eu to fazendo com a minha vida.


E nada faz sentido, na verdade nunca fez, e assim está ótimo.