terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Se você quiser

Mas se você quiser alguém pra conversar, pra falar do Chico, pra escutar o Milton.
Se você quiser separar alguns artigos pra eu ler, eu posso te mostrar umas poesias.
Se você quiser responder toda uma curiosidade, se você quiser companhia pra um debate.
Se você quiser, pode me chamar
pode querer me encontrar.
Eu moro aqui no centro, 
é só me mandar uma mensagem,
eu desço o prédio correndo!
Ah, você tinha que ver, foi tão bonitinho, ele é todo bonitinho, todo atrapalhado, fala engraçado, a gente tem tudo a ver.
Ah, que bom cara, chama ele pra sair.
Ih, não rola!
Ué, por que?
Tem namorada. Quer dizer, uma quase-namorada.
Ah entendi.
Caaara, o comecei a conversar com o amigo dele!
Pra falar do cara que tem um quase-namorada?
Claro que não, tá maluco? Pra falar sobre ele né?! Ele é tão inteligente, tem um sorrisão, os olhinhos bem pequeninhos, tão bonitinho.
Ô garota!
Que que foi?
Não te entendo não, mas e aí, esse outro tá a fim de você?
Parece que tá mas parece que não.
Tu é linda, chama ele pra sair.
Ai cacete! O amigo dele veio falar comigo.
O da quase namorada?
Nãaao, um outro!
E ai???
A Joana é a fim dele, ele não pode ser a fim de mim.
Para de falar com ele, ué!
Que falta de educação! Vou responder mas não vou dar bola.
...
Ai cara! Ele escreve poesia, igual a mim, é todo bonitinho!
Não começa, menina!
Eu não comecei nada, eles que aparecem assim, do nada na minha vida, bonitinhos assim, inteligentes assim, cheios de coisas pra falar, com dois ouvidos pra me escutar!
Cara.
Oi.
O que que você quer?
Ih nando, sai fora, pergunta difícil!
Mas tem que escolher.
Tem nada.
Tem sim.
Pode escolher os três?
Não.
Então eu quero os três.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Poetinha, poetinha!

Poetinha, poetinha
Não sei o que acontece quando deitas na cama, já nas várias horas da noite, e ficas assim, uma mão na barriga e a outra sob a nuca, fitando a parede branca como quem observa as coisas que já disse ou culpa-se por ser assim, poetinha, poetinha.
Não sei o que passa no teu coração quando teus olhos não estão mais no presente e a tua mão segura a tua bochecha num sinal de tédio pra entender a realidade ou pra aceitar-se do jeito que és, poetinha, poetinha.
Não sei o que se passa no refúgio dos teus desejos quando não saem mais palavras da tua boca e mordes teus lábios como quem tem todas as incertezas dentro das bochechas, ah poetinha, poetinha!
Não sei o que acontece contigo quando tens essa cara de quem quer ir embora mas não sabe pra onde. 
Ah poetinha, poetinha, às vezes é só tpm.
As formigas estão sempre muito ocupadas, vivem carregando folhinhas e bichinhos pra todo canto.
Cuidam dos seus formigueiros com muito afinco.
Andam em fileiras e têm um senso de organização invejável.
As formigas não usam relógio.
E eu nunca vi uma formiga tomando sol.
Formigas são calvinistas.
Será que elas têm tempo pra amar?
Às vezes, eu penso em segredo, que eu bem gostaria de ser uma formiga, daquelas bem rápidas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Poesia não tem ponto final

O número dois

Eu estou sempre entre dois
dois amores
dois beijos
dois corações
Eu estou sempre entre dois
dois postes
duas pontes
duas ruas
Eu estou sempre entre dois
dois eles
dois eus
dois nós
Eu estou sempre entre dois
dois dias
duas horas 
dois dois
Eu estou sempre entre o número dois
Sou duas
Sou dois mares e dois oceanos
Sou dois céus
Dois abismos
Sou eu e ele
Eu sou duas metades de um mesmo passarinho
Eu sou sempre o número dois

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Coração de Passarinho

Coração ansioso
Coração precipitado, bate por um, bate por dois
Coração distraído
Coração indeciso
Coração viajante, tá sempre em mais de um lar
Coração corajoso
Coração cantor
No meu pequeno corpo cabem tantos...
Meu coração é do mundo
É do mundo e é meu

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Todas as Canções Falam de Amor

Todas as canções falam de amor
Graças
Sem elas nos faltaria coragem
Todas as canções falam de amor
E tocam no rádio todos os dias
Todas as canções falam de amor
Da Maria Luiza
Ou Carolina
Ou Isabella
Todas as canções falam de amor
Com a graciosidade da bossa
Ou com a falta de leveza do metal
Todas as canções falam de amor
Todas precisam de um remetente 
Todas precisam de um amante
De um amado
Todas as canções falam de amor
E você ama
Por favor, não mecanizem as canções
Passarinhos fora da gaiola...
Liberdade
Todas as canções falam de amor

sábado, 26 de abril de 2014

Não sei bem o que é que me dá no fim da tarde
Um apertinho no estômago. Uma vontade de viajar o mundo inteiro e um desejo enorme de nunca sair de baixo da saia dela
Fico azul. Queria ser arco-íris
Experimentar o mundo e viajar todas as comidas. Ou o contrário?
Não é de muita importância 
As cortinas, não gosto delas abertas nesses dias de frio
Os amores, alimento todos, como a uma plantinha
O "ser" cidadão do mundo sempre acompanhado do medo de ser esquecido
Esqueço das coisas e sempre me perco no que eu digo
Minha atenção é desatenta 
E os meus pés sempre meio tortos 
Gosto das mentiras que os amores contam 
E adoro os espelhos
Acho que é saudade 

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Das preferências

Eu sempre preferi o doce ao salgado e o riso ao choro
Sempre preferi os dias ensolarados àquela névoa do final de julho
Sempre preferi as aventuras mágicas aos romances "mela-cueca"
As noites de calmaria em casa aos agitos dos sábados à noite
Os sons de sopro aos de corda
Os abraços maternais à rebeldia incontrolável

E agora entre todas as coisas que se pode preferir, eu preferi você
E preferi pensar nos teus olhos verdes à fazer conjecturas sobre o que pensas de mim
[e as lembranças de um dezembro passado me atormentam, dia e noite]
Eu tinha cheiro de jasmim, e você emanava o perfume dos desodorantes masculinos. O meu mau humor havia se esvaído por completo e eu finalmente descobri o que era ajudar um outro alguém. Nada de nostalgia. O tempo deu uma pausa para o amor. Para amar. E os dias chuvosos pareciam tão ensolarados quanto o verão que veio em seguida. Tudo em harmonia. Nada como um amor pra bagunçar tudo e por isso mesmo colocar cada coisa em seu lugar. Tô precisando d'outro já que esse arrumou as malas e entrou no trem da indecisão.
A saudade que sinto não dói. Me anseia. A viver os amores que virão. A amar os corações que estão pelo caminho. Ser amante. Ser amada. Ser amável. Sou sensível ao cheiro dos amores passados. Anseio pelos do presente.

domingo, 16 de março de 2014

...Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva
Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa...




segunda-feira, 10 de março de 2014

Do vale do sair, deu de cara com o passado
E se lembrou da época que passava maus bocados
Saiu em direção aos beijos já beijados
E chorou as lágrimas já choradas
Lembrou-se do tempo ruim
E das coisas que deram errado
Apesar de toda a vida já vivida 
Havia mais para se descobrir 
E se chorar
E se beijar
A vida que lhe beijou, também sussurrou em seu ouvido, os passos apesar de presentes, são premissas do passado, tá entendido?


Giulia Madeira e Gael

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Da Juventude

ó juventude!
doce juventude...
cheia de montanhas russas
estrada tortuosa
cheia de buracos
cheia de curvas
doce gostinho do "ai, to com vergonha"
e o gosto amargo daquelas lágrimas que a gente chora antes de dormir
ahh, aquelas músicas
as festas que a gente não foi
e as besteiras que a gente fala
e aquele beijo bom do menino que nunca mais olhou pra gente
e aquela vez que a gente nunca mais olhou pro menino?
os uniformes descendo a rampa da escola, todos juntos
todos falando alto sobre sábado a noite
a aula de matemática, maldita matemática que impede a gente de tagarelar
e agora, será que eu mando mensagem?
ele não liga...
será que eu beijo mal
e aquele outro menino
que coisa linda
qual é mesmo o nome dele?
ah, é miguel
ai que nome feio...
acho que eu engordei
acho que eu to magra demais
porque as minhas pernas são tão finas???
eu não tenho peito!
aula de filosofia, esse professor é um pentelho!
falando em pentelho... ai meu deus, e a depilação
como dói!
ai que vergonha, eu beijei aquele menino!
que saudade do vovô
será que a prima de terê ta bem?
blá blá blá
vai lavar a louça, julia!




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Posso te tocar?
Só para ver se és de verdade
Penso que não
Penso que tudo o que mostras é de puro fingimento
Não és nem a metade do que dizes ser
Não és o teu post no twitter
Nem aquela foto cheia de luzes e cores que o mundo vê
Não é de verdade esse lado
Quero saber do outro
Aquele que contas só para o diário
Como podes ser tão falsa
Dissimulada
Menina boba
Pensas que não tem fraquezas
Pois eu penso que essas que tu expõe fazem parte dessa maquiagem
Ó menina boba
Queria descobrir no que pensas quando deita na cama
E o que pensas quando acorda
Ah pobre mentirosa
A vida passa e tu nem percebe 
Mas os teus seguidores te acham bela
Já passam de dois mil 
Eles e as mentiras

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sobre beleza, a tua

Bonito deve ser quem te fez
Que fez bonito assim
Calmo desse jeito
Com esse olhar de serenidade
Me perco nesses cálculos de química 
Devaneando sobre essa beleza
Beleza que vê
Que ouve
Que pensa
Beleza essa tua, podia ser nossa
Beleza que caminha por esses sítios
Beleza que nem me olha, que nem me vê...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Eu me apaixonei.
Há muito tempo eu me apaixonei.
Pela brisa que chega na cidade lá pelas oito da noite
E pelas cabeleiras que voam com ela.
Me apaixonei pela nuvens que dançam no céu
Com aquela beleza que nos assusta
Me apaixonei
Pelas montanhas
Livres, mais do que todos nós
Me apaixonei pela voz da Elis 
Pelas escrevenhuras do Chico
Pelo colo da minha mãe
Pelo espelho
Por todas as pessoas
E por nenhuma delas
Eu me apaixonei
Vim de passagem
Vou-me embora já já
Menina apaixonada
Menina...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje eu pensei em muitas coisas. 
Eu penso sempre, em muitas coisas, mas nunca muito.
Pensei no quanto eu sou menina. 
Menina moça. Menina boneca. Menina menina.
Pensei no feijão do almoço.
No seu marrom. No seu tamanho. No seu sabor.
Pensei nas gargalhadas.
Nas minhas e nas de quem eu provocava.
E pensei em você.
Em como você tá.
Será que tá queimado de Sol.
Será que tá rindo. Chorando. Lamentando. 
Será que ainda arregala os olhos e levanta as sobrancelhas?
Será que ainda usa aquele tênis.
Será que terminou de pintar a tatuagem.
Muitas serás. Serás não respondidos.
Já que os meus dedos não me deixaram enviar aquela mensagem.
Já que você não liga. Nem telefona. Nem fala. 
Só com os outros.
"Hoje queria ler-te. Saber aquilo que de mim pensas. Saber como me gostas e de que forma me precisas. Que me oferecesses os teus medos para eu os dissipar. Que me mostrasses as tuas certezas para os meus receios desaparecerem.

Hoje apetecia-me ler-te. Conhecer-me pelos teus olhos. Entender por que razão gostas de mim. Descobrir o que te cativa.

Hoje apetecia-me que fosses tu a escrever.
Que me dirias?"


Rita Leston

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Quase uma vitrola

No território dos sonhos, onde eu habito mais do que ao mundo, estava lá.
Você e todo o resto 
O Sol e a Lua
Os bordados e os tricôs
As ilusões e os desencantos
Estava tudo lá
Até você
Que não devia estar
Mas ali estava para fazer a companhia
No tempo que eu dedico muito mais aos sonhos do que a realidade
Ora
Mas desde quando sonho não é realidade?
Tá vendo o que fazes
Entro logo em parafuso
No território dos sonhos, onde eu habito muito mais do que ao mundo, estava eu.
Desatenta das coisas todas
Meio andante
Meio que voou 
Meio qualquer coisa
Meio desloque
Quase uma vitrola

domingo, 19 de janeiro de 2014

Eu piso na grama e descubro o quanto o meu pé é pequeno.
Pouso na rua e observo os restos.
Os meus restos. Os restos deles.  E eles.
Às vezes tudo parece uma massa homogênea.
E às vezes tudo parece uma melodia tão descompassada que eu estremeço.
De vez em vento sinto-me bem em estar aqui.
De vez em brisa eu preciso fugir.
O meu pé pequeno na grama.
A cabeça entre qualquer árvore vendo a massa-melódica-descompassada passar.
O medo do que pode vir do alto.
Pareço com o quê?



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

As coisas são todas assim mesmo. A vida é toda assim mesmo.
Não há porque o espanto.
Não há porque a ansiedade.
As coisas são todas pontuais.
Eles vêm. Eles vão.
A gente vem. A gente vai.
Entristece. Desentristece.
Alegra. Desalegra.
Acelera. Desacelera.
Ama. Desama.
Para. Anda.
Ri. Chora. 
Nada é pra hoje. 
Nada é pra nunca. 
Tudo é hoje, tudo é amanha, tudo é qualquer coisa. 
E qualquer coisa é coisa nenhuma.
Só sei que só sei de mim e do que foi. 
Só sei que sou passarinha.
E agora meu pouso é na alegria. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014


"...eu não quero nunca mais seu endereço..."
Mas que disparate isso que dizem por aí, que saudade só é boa na poesia.
Saudade é boa a vida toda.
Saudade é a vida toda.
Saudade ensina a viver.
Saudade ensina a sofrer.
Lá pelas 2 da manhã levantou da cama. Havia uma inquietação. 
Botou a água do chá de camomila pra ferver, e ficou observando seu pequeno corpo no espelho do corredor. Era um corpo especialmente miúdo. Havia perdido alguns quilos no mês que passou.
Uma mensagem fez apitar o celular. A água ferveu. O cachorro acordou.
Sentia-se serena. Como nunca se sentira antes.
Preparava o chá enquanto respondia com um ar quase emocionado a mensagem.
Esperara por muito tempo para ler aquelas palavras. E sabia que aquele era um bom momento para dizer o que havia adiado por mais de mês. E disse.
A água na caneca agora era colorida pelo amarelo da camomila.
Parecia um pouco com sua alma. Que agora deixava de ser pálida, e coloria-se de serenidade.
Naquela madrugada de véspera de natal as palavras (ditas) eram tudo o que importava, e a camomila.
As palavras daquela vez vieram, não para um começo, ou recomeço. Vieram para ilustrar um fim.
Belo fim. Fim de camomila.
Da janela o vento soprava. Sopro de calma.
Serenidade.
Menina serena...