sábado, 9 de maio de 2015

Às vezes, mais vezes do que me recordo, me pergunto cá comigo mesma e com as minhas ideias quem é deus.
As pessoas falam dele com tanta intimidade que chego a pensar que na hora de dormir, elas sentam em suas camas e conversam com ele, cara a cara.
Não me sinto tão íntima de deus assim. Talvez tenhamos problemas na nossa comunicação, ou os nossos horários não coincidam.
Não pense que é blasfêmia meu querido leitor, muito ao contrário, tenho apenas uma curiosidade sobre as questões de deus.
Pra mim, deus tem cara de vento, e não venha agora achar que é zombaria, de forma nenhuma, é só que sinto deus no vento, às vezes ele tá bravo, às vezes ele tá de bom humor.
Mas o vento passa por mim tão depressa que não dá tempo de bater papo.

Os teus ques

Que chega e todas as luzes do inexplicável se acendem, quem dera que fossem só para mim. Boba sou eu, como posso achar, nessa minha cabeça de passarinho, que as tuas luzes só eu posso ver?

Que os teus cabelos, tão maiores que os meus, abraçam o meu rosto. E todo ele sorri e entra em êxtase com o cheiro e o volume. Pedem, suplicam, fazem juras, para o abraço não acabar nunca.

Que o teu rosto, onde se estampa um sorriso que desperta a minha curiosidade. Todo o teu rosto desperta a minha curiosidade e os meus olhos me obrigam a mirá-lo e ficar ali, observando cada detalhe que fugiu à minha atenção.

Que os dentes, sim eu os reparo também, tão brancos, fazem uma simetria harmoniosa para uma cabeça tão assimétrica como a de quem escreve. 

Que a tua fala e o timbre da tua voz, e desses eu preciso falar por último porque são, sem um pedacinho de dúvida, o teu maior encanto, me acalmam e tem como essência, não as cordas vocais, mas sim uma harpa, de som tão doce que os meus ouvidos gritam para que fale para sempre [ao pé deles].

sábado, 24 de janeiro de 2015

Tinha um menino numa história, uma história dessas boas histórias que a vida conta pra gente, dessas boas histórias que a gente não esquece nem com uma esquemia.
O menino vivia por aí, cercado de um monte de amigos, fazendo teatro, bebendo cerveja, soltando gargalhada, fazendo besteira.
O menino era um querido, não havia ninguém na cidade maravilhosa que dissesse que ele era um fanfarrão, que não se afeiçoava a ele.
Até que um dia, sorrateiramente, a vida resolve mudar a nossa vida e foi aí que ele conheceu uma mocinha, de berço italiano que de engraçada só tinha o nome, e daí entrou num avião e foi-se embora pra cidade da luz.
Direto desse Brasilzão pra Parix.
E lá ele ficou e deixou que a vida entrasse nos trilhos.
Faz teatro a vida toda e vez por outra vem visitar sua saudosa terra, comer um bão de um feijão e fazer graça com uns amigos.
Sente saudade de uma gente que sente saudade. Tem um filho, que tem nome de gente importante e casou com uma moça doce como mel.
Por aqui tem outra moça, que escreve umas poesias cheias de saudade.
Um beijo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Acho que vou ter que me acostumar com esse coração, que bate por você e por mais um milhão, acho que vou ter que aprender a ser feliz - se é que eu já não sou -, acho que vou ter que te contar toda a verdade, que o meu coração não mente mas tá sempre brincando de esconde-esconde.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Se você quiser

Mas se você quiser alguém pra conversar, pra falar do Chico, pra escutar o Milton.
Se você quiser separar alguns artigos pra eu ler, eu posso te mostrar umas poesias.
Se você quiser responder toda uma curiosidade, se você quiser companhia pra um debate.
Se você quiser, pode me chamar
pode querer me encontrar.
Eu moro aqui no centro, 
é só me mandar uma mensagem,
eu desço o prédio correndo!
Ah, você tinha que ver, foi tão bonitinho, ele é todo bonitinho, todo atrapalhado, fala engraçado, a gente tem tudo a ver.
Ah, que bom cara, chama ele pra sair.
Ih, não rola!
Ué, por que?
Tem namorada. Quer dizer, uma quase-namorada.
Ah entendi.
Caaara, o comecei a conversar com o amigo dele!
Pra falar do cara que tem um quase-namorada?
Claro que não, tá maluco? Pra falar sobre ele né?! Ele é tão inteligente, tem um sorrisão, os olhinhos bem pequeninhos, tão bonitinho.
Ô garota!
Que que foi?
Não te entendo não, mas e aí, esse outro tá a fim de você?
Parece que tá mas parece que não.
Tu é linda, chama ele pra sair.
Ai cacete! O amigo dele veio falar comigo.
O da quase namorada?
Nãaao, um outro!
E ai???
A Joana é a fim dele, ele não pode ser a fim de mim.
Para de falar com ele, ué!
Que falta de educação! Vou responder mas não vou dar bola.
...
Ai cara! Ele escreve poesia, igual a mim, é todo bonitinho!
Não começa, menina!
Eu não comecei nada, eles que aparecem assim, do nada na minha vida, bonitinhos assim, inteligentes assim, cheios de coisas pra falar, com dois ouvidos pra me escutar!
Cara.
Oi.
O que que você quer?
Ih nando, sai fora, pergunta difícil!
Mas tem que escolher.
Tem nada.
Tem sim.
Pode escolher os três?
Não.
Então eu quero os três.