Às vezes sinto medo do tempo. De tudo o que ele pode levar e trazer. Às vezes o adoro pelo mesmo motivo.
Às vezes sinto enorme vontade de chorar por causa da impermanência das coisas. Por saber que tudo passa. E choro. Pela impermanência de tudo.
Nesses dias que se arrastaram morri de medo. Medo do futuro. Do meu futuro. Medo de envelhecer. Medo de sentir dor. Medo de crescer.
Li por aí que crescer é aprender a dizer adeus. Eu acho que eu não sei dizer adeus. E eu acho que não quero crescer.
Eu acho que eu quero correr pra cama da minha mãe, e ficar ali, falando sobre nada importante e rindo dos pobres programas do horário nobre.
Eu acho que eu quero dizer adeus ao futuro e ficar só com o presente que o presente me deu: o de ser menina.
Acho que crescer não dói. Talvez crescer não seja só dizer adeus, talvez seja dizer olá também.
Nada disso faz um grande sentido. A vida toda é saudade mesmo.
Crescer dói sim, e dizer "olá" é a recompensa da dor.
Nunca gostei muito da dor.
Escolho não crescer.
Vou ali pintar as unhas e ouvir mutantes.
Enquanto não cresço.
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Assinar:
Comentários (Atom)