terça-feira, 27 de agosto de 2013

Terminou Indo

E terminou indo, como todas as coisas. Chegou de repente e de repente se foi. Sem dizer oi, chegou, sem dizer adeus, se foi. Pareces um pouco como o vento, só se sabe a direção, mas nunca se sabe quando chega e quando decide ir embora. 
Ah o vento... Este bem que podia chegar agora, de repente, e varrer toda essa tristeza que deixaste, arrumar toda a bagunça que fizeste, e levar junto a ele tudo o que te lembra... 
O vento veio, mas apenas secou, secou as lágrimas, disse que o amor enxuga, disse que dessa vez não seria dele a tarefa de organizar tudo, e sim do tempo, disse também que ele tarde ás vezes, mas que é pra ter paciência. 
Ah a paciência... Foi tudo o que eu tive durante esse curto tempo, se é que se pode chamar assim, de curto, mas fico orgulhosa dessa minha alma inquieta por ter tido a tal paciência, por ter tentado esperar, e por ter conseguido. 
Me orgulho da minha língua, que conseguiu manter-se parada, nem que tenha sido pelo mínimo tempo, ela conseguiu. 
Orgulho-me das minhas pernas por não terem se movido depressa pra longe de tudo, da dor e da tristeza, porque se o tivesse feito teria perdido eu, as alegrias e as coisas boas. Mas ah! Coisas boas nesse momento já não me importam mais... Um dia me disseram que tudo na vida é passageiro, a tristeza e a felicidade, o riso e o choro. Passou. As coisas boas passaram. E de nada adianta lembrá-las a essa altura do jogo. 
Aliás, o jogo já acabou, e eu como sempre acabei me atrasando. Não cheguei no momento certo e no 2º tempo já não dava mais pra entrar... Ah quem dera eu, ter sido mais rápida. Chegaste bem antes do início da partida, e foi essa a tua vantagem. Sabias onde pisava, eu não. Sabias o que o resultado do jogo traria, eu não. Ô jogo injusto esse, onde um sabe muito mais que o outro, onde já se viu! 
Éramos dois, e no fim acabamos sendo dez. 
Pobre, a menina da janela! As incertezas não haviam voltado, mas a tristeza se encarregou de ocupar seu lugar. 
Ô guria, nada de pobre, nada de coitada, onde já se viu isso, menina boba, menino voador, ele se foi, você também, o céu ali ficou, e tu parou de admirá-lo, os pássaros permaneceram e tu parou de lhes sorrir, os amigos não se foram, o bicho de estimação anseia por carinho, o bebê ainda chora, o irmão ainda cresce, o avô ainda diminui e o pai ainda engorda, deixe de bestagem, a vida continuou e tu parou, continuas a ver, mas parou de reparar, parou de cantar, um dia tu leu a frase "se você quiser energias boas do Universo, dê energias boas ao Universo", o poeta lhe disse e o sonho confirmou, segue em frente, em nome do amor que tens por ti! E seguiu...

"e queixas só dá rugas, e o vento seca, o amor enxuga..."

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A Menina da Janela

A menina da janela, mais uma vez, foi vítima de mais um auto-retrato. Anda agora mais apressada do que nunca. As dúvidas agora se escondem, resolveram dar uma trégua para a pobre menina da janela, que talvez deva ser chamada de menina do 3º andar ou menina da praça, já que não mora mais numa casa com uma janela onde se posse sentar e reparar o sol se pôr, mora agora num prédio, mas próximo da vida "agitada" daquela cidade pacata. As mudanças haviam chegada de súbito, dando-lhe um susto, mas acostumou-se, aos poucos se moldou. 
Hoje a menina ardia em febre. Conversava consigo mesma sobre a pressa que tinha sobre todas as coisas, a febre lhe dizia coisas, aliás, coisas bem interessantes. Lhe dizia para ter calma porque as coisas sempre vêm e vão, sempre acontecem, as coisas boas e as coisas ruins, lhe dizia para ser um pouco menos desconfiada e parar de duvidar de todos, afinal também tinha sentimentos e seu coração não era uma pedra de gelo, lhe dizia para prestar atenção no silêncio daquele menino de quem gostava demasiadamente, lhe contava que o silêncio ensina muitas coisas. Naquela noite, as olheiras lhe faziam companhia e a febre era sua melhor amiga, nunca havia sido tão bem aconselhada. O termômetro já incomodava ali parado embaixo de seu braço e sua cabeça doía como nunca. Mas apesar do mau estado de sua saúde, a febre lhe fez ficar feliz com todos aqueles conselhos dados de presente, e no fim da conversa com a mesma, a menina sorriu um sorriso de paz, estando feliz por todas as circunstâncias...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ah pobre menina!

O feitio é complicado e a inconstância, a melhor amiga. Ah, pobre menina! Muda de ideia como quem muda de roupa. Não sabe lidar com pessoas, assim como não sabe lidar consigo mesma. Ah, a pobre menina, que tem a confusão como casa e a incerteza como mãe.