Ah o vento... Este bem que podia chegar agora, de repente, e varrer toda essa tristeza que deixaste, arrumar toda a bagunça que fizeste, e levar junto a ele tudo o que te lembra...
O vento veio, mas apenas secou, secou as lágrimas, disse que o amor enxuga, disse que dessa vez não seria dele a tarefa de organizar tudo, e sim do tempo, disse também que ele tarde ás vezes, mas que é pra ter paciência.
Ah a paciência... Foi tudo o que eu tive durante esse curto tempo, se é que se pode chamar assim, de curto, mas fico orgulhosa dessa minha alma inquieta por ter tido a tal paciência, por ter tentado esperar, e por ter conseguido.
Me orgulho da minha língua, que conseguiu manter-se parada, nem que tenha sido pelo mínimo tempo, ela conseguiu.
Orgulho-me das minhas pernas por não terem se movido depressa pra longe de tudo, da dor e da tristeza, porque se o tivesse feito teria perdido eu, as alegrias e as coisas boas. Mas ah! Coisas boas nesse momento já não me importam mais... Um dia me disseram que tudo na vida é passageiro, a tristeza e a felicidade, o riso e o choro. Passou. As coisas boas passaram. E de nada adianta lembrá-las a essa altura do jogo.
Aliás, o jogo já acabou, e eu como sempre acabei me atrasando. Não cheguei no momento certo e no 2º tempo já não dava mais pra entrar... Ah quem dera eu, ter sido mais rápida. Chegaste bem antes do início da partida, e foi essa a tua vantagem. Sabias onde pisava, eu não. Sabias o que o resultado do jogo traria, eu não. Ô jogo injusto esse, onde um sabe muito mais que o outro, onde já se viu!
Éramos dois, e no fim acabamos sendo dez.
Pobre, a menina da janela! As incertezas não haviam voltado, mas a tristeza se encarregou de ocupar seu lugar.
Ô guria, nada de pobre, nada de coitada, onde já se viu isso, menina boba, menino voador, ele se foi, você também, o céu ali ficou, e tu parou de admirá-lo, os pássaros permaneceram e tu parou de lhes sorrir, os amigos não se foram, o bicho de estimação anseia por carinho, o bebê ainda chora, o irmão ainda cresce, o avô ainda diminui e o pai ainda engorda, deixe de bestagem, a vida continuou e tu parou, continuas a ver, mas parou de reparar, parou de cantar, um dia tu leu a frase "se você quiser energias boas do Universo, dê energias boas ao Universo", o poeta lhe disse e o sonho confirmou, segue em frente, em nome do amor que tens por ti! E seguiu...
"e queixas só dá rugas, e o vento seca, o amor enxuga..."
