sábado, 16 de novembro de 2013

"Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. [...] Só porque contive meus crimes, eu me acho de amor inocente. [...] Talvez eu tenha que de chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho da minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, ao meu contrário quero chamar de Deus. [...] Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, ele não existe."

Clarice Lispector, Perdoando Deus
Terminar um amor e viver um novo. Terminar a primavera, com pureza, e viver um novo verão, com brisa. As coisas têm seu prazo de validade, as coisas acabam, como as primaveras e os verões. Mas depois elas voltam, como as primaveras e os verões seguintes. Claro que não voltam como eram. As coisas acabam. Outras coisas tomam seu lugar. As coisas passam, voltam, passam, voltam...
Ainda bem!
Imagina só, que falta de imaginação seria se as coisas não passassem. Se outras coisas não se criassem, não tomassem seu lugar.
Ele foi. Um outro ele veio. Ainda bem. A tristeza havia passado, e quando essa passa, é a hora de recomeçar. 
Ainda bem!
Imagina só, não ter encontrado esse olhar cheio de flores. Imagina só... Como eu ainda seria triste sem todas essas flores... 
Floral do perfume das flores
Perfume do floral das flores
As flores dos teus olhos tornam tudo em mim floral
O meu perfume floral torna teus olhos cheios de flores.