segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Da Juventude

ó juventude!
doce juventude...
cheia de montanhas russas
estrada tortuosa
cheia de buracos
cheia de curvas
doce gostinho do "ai, to com vergonha"
e o gosto amargo daquelas lágrimas que a gente chora antes de dormir
ahh, aquelas músicas
as festas que a gente não foi
e as besteiras que a gente fala
e aquele beijo bom do menino que nunca mais olhou pra gente
e aquela vez que a gente nunca mais olhou pro menino?
os uniformes descendo a rampa da escola, todos juntos
todos falando alto sobre sábado a noite
a aula de matemática, maldita matemática que impede a gente de tagarelar
e agora, será que eu mando mensagem?
ele não liga...
será que eu beijo mal
e aquele outro menino
que coisa linda
qual é mesmo o nome dele?
ah, é miguel
ai que nome feio...
acho que eu engordei
acho que eu to magra demais
porque as minhas pernas são tão finas???
eu não tenho peito!
aula de filosofia, esse professor é um pentelho!
falando em pentelho... ai meu deus, e a depilação
como dói!
ai que vergonha, eu beijei aquele menino!
que saudade do vovô
será que a prima de terê ta bem?
blá blá blá
vai lavar a louça, julia!




segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Posso te tocar?
Só para ver se és de verdade
Penso que não
Penso que tudo o que mostras é de puro fingimento
Não és nem a metade do que dizes ser
Não és o teu post no twitter
Nem aquela foto cheia de luzes e cores que o mundo vê
Não é de verdade esse lado
Quero saber do outro
Aquele que contas só para o diário
Como podes ser tão falsa
Dissimulada
Menina boba
Pensas que não tem fraquezas
Pois eu penso que essas que tu expõe fazem parte dessa maquiagem
Ó menina boba
Queria descobrir no que pensas quando deita na cama
E o que pensas quando acorda
Ah pobre mentirosa
A vida passa e tu nem percebe 
Mas os teus seguidores te acham bela
Já passam de dois mil 
Eles e as mentiras

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sobre beleza, a tua

Bonito deve ser quem te fez
Que fez bonito assim
Calmo desse jeito
Com esse olhar de serenidade
Me perco nesses cálculos de química 
Devaneando sobre essa beleza
Beleza que vê
Que ouve
Que pensa
Beleza essa tua, podia ser nossa
Beleza que caminha por esses sítios
Beleza que nem me olha, que nem me vê...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Eu me apaixonei.
Há muito tempo eu me apaixonei.
Pela brisa que chega na cidade lá pelas oito da noite
E pelas cabeleiras que voam com ela.
Me apaixonei pela nuvens que dançam no céu
Com aquela beleza que nos assusta
Me apaixonei
Pelas montanhas
Livres, mais do que todos nós
Me apaixonei pela voz da Elis 
Pelas escrevenhuras do Chico
Pelo colo da minha mãe
Pelo espelho
Por todas as pessoas
E por nenhuma delas
Eu me apaixonei
Vim de passagem
Vou-me embora já já
Menina apaixonada
Menina...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje eu pensei em muitas coisas. 
Eu penso sempre, em muitas coisas, mas nunca muito.
Pensei no quanto eu sou menina. 
Menina moça. Menina boneca. Menina menina.
Pensei no feijão do almoço.
No seu marrom. No seu tamanho. No seu sabor.
Pensei nas gargalhadas.
Nas minhas e nas de quem eu provocava.
E pensei em você.
Em como você tá.
Será que tá queimado de Sol.
Será que tá rindo. Chorando. Lamentando. 
Será que ainda arregala os olhos e levanta as sobrancelhas?
Será que ainda usa aquele tênis.
Será que terminou de pintar a tatuagem.
Muitas serás. Serás não respondidos.
Já que os meus dedos não me deixaram enviar aquela mensagem.
Já que você não liga. Nem telefona. Nem fala. 
Só com os outros.
"Hoje queria ler-te. Saber aquilo que de mim pensas. Saber como me gostas e de que forma me precisas. Que me oferecesses os teus medos para eu os dissipar. Que me mostrasses as tuas certezas para os meus receios desaparecerem.

Hoje apetecia-me ler-te. Conhecer-me pelos teus olhos. Entender por que razão gostas de mim. Descobrir o que te cativa.

Hoje apetecia-me que fosses tu a escrever.
Que me dirias?"


Rita Leston

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Quase uma vitrola

No território dos sonhos, onde eu habito mais do que ao mundo, estava lá.
Você e todo o resto 
O Sol e a Lua
Os bordados e os tricôs
As ilusões e os desencantos
Estava tudo lá
Até você
Que não devia estar
Mas ali estava para fazer a companhia
No tempo que eu dedico muito mais aos sonhos do que a realidade
Ora
Mas desde quando sonho não é realidade?
Tá vendo o que fazes
Entro logo em parafuso
No território dos sonhos, onde eu habito muito mais do que ao mundo, estava eu.
Desatenta das coisas todas
Meio andante
Meio que voou 
Meio qualquer coisa
Meio desloque
Quase uma vitrola