Nunca fui de fazer sentido e ainda não o sou, nem nunca serei.
Andava meio perdida, na verdade ainda me encontro perdida, mas descobri que é assim que eu sou, meio perdida, meio distraída, meio avoada, meio sem noção. Não sei bem o que eu quero, de vez em quando não sei o que pensar de mim, às vezes não sei o porquê de estar fazendo o que eu faço, mas descobri que eu sou assim mesmo.
A um tempinho atrás eu estava na rua, esperando meu cachorro sair da veterinária, estava eu, sentada numa escada, olhando pro nada, pensando em um monte de coisa, de repente passa um moço, já com seus cinquenta e poucos anos, para na minha frente e diz "não pensa muito na vida não, porque a morte é certa". Por mais estranho que isso pareça, o moço com os cinquenta e poucos anos estava certo, na verdade ainda está.
Quando eu fico sozinha, principalmente quando eu fico no silêncio, vem muita coisa na minha cabeça, coisa boa coisa ruim, coisa irreal, personagens de história, o dia seguinte, o dia anterior... Mas parei de fazer isso, quer dizer, parei de pensar demais, nunca deu em boa coisa, não seria agora que daria. A morte é certa, o moço tinha razão, a parte material um dia acaba e só fica a parte espiritual, mas o moço tinha razão em outra coisa, pensar muito na vida nunca é muito bom, sentir é muito melhor, sentir a vida é muito melhor.
Estava eu, perdida, sem saber pra onde ir, com a cabeça cheia de um monte de nadas, com o coração bagunçado. Estava eu, pensando na vida como se ela tivesse pressa de seguir. Estava eu, tentando me encontrar sem nem perceber que era eu o tempo todo, "eu" até demais. Estava eu, como uma criança mimada, querendo as respostas sem ter as perguntas.


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