domingo, 7 de julho de 2013

A Menina da Janela

A menina sentada na janela tinha o olhar vazio, reparava na criança jogando bola no meio da rua, o sol batia em seu rosto, rosto de expressão vazia. Não estava triste, nem feliz, não sorria e também não falava nada com o irmão que estava do lado de dentro da janela. Também não pensava, não questionava os problemas que haviam surgido tão de repente, apenas sentia. Sentia um pouco de medo do que seu coração podia fazer, um pouco de nostalgia, sentia saudade também, ah essa saudade, caminhava sempre ao lado da menina. Sentia saudade de pessoas, de lugares, de sentimentos, sentia saudade principalmente de sua inocência. A saudade às vezes vinha tão de repente que mais parecia uma daquelas ondas pesadas do mar, daquelas que te derrubam na areia e você engole um monte de água. 
Ai a menina da janela...
Tinha a pele dourada, os olhos bem pretos e o cabelo curto. Era pequena e as bochechas estavam rosadas por causa do sol. 
Os carros passavam pela rua, o irmão se espreguiçava no sofá, a criança jogava bola, as pessoas gargalhavam, os pais faziam o almoço, havia um livro a ser estudado, um debate a ser feito, uma decisão a ser tomada, um quarto a ser arrumado, uma mensagem a ser enviada, mas a menina da janela permanecia ali, com o olhar vazio e a ansiedade para alguma coisa que iria acontecer...
Ai a menina da janela...
Não tinha muitas perspectivas, nem muitos quereres. Por trás das unhas pintadas de vermelho havia uma criança que acabara de começar a viver naquele mundo apressado e mau humorado, a menina já havia se tornado uma apressada e mau humorada, mas via por dentro de cada um e assim a manhã se seguiu e a menina apaixonada pelo sol ali permaneceu: na janela...

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